Visão

“Um terreno com uma dezena de hectares, num sítio aprazível, polvilhado de pequenas habitações ajardinadas, mais parecendo um jardim habitado. As habitações são simpáticas, térreas, agrupadas (alguns agrupamentos estão associados a círculos mais estritos de amigos).
Cada uma tem cerca de 75 m2 e dispõe de uma sala com kitchenette, um ou dois quartos, WC e arrecadação. Têm um pequeno telheiro à frente. São modulares, pré-fabricadas e ecos sustentáveis. Não há superfluidade no interior. Veem-se plantas aromáticas penduradas pelas paredes exteriores e, pasme-se, flores nos telhados! Há mais de 100 dessas pequenas casas.

Na Aldeia do CAOS a acessibilidade é boa, mesmo para aqueles que têm problemas de mobilidade e que se deslocam em cadeiras de rodas, com percursos simples, fáceis e essencialmente pedonais, ainda que permitindo o acesso ocasional a veículos para cargas e descargas e transportes de emergência.
Por todo o lado se veem, encostadas às casas, bicicletas, e também algumas scooters e triciclos elétricos. Há animais de estimação, mas os menos sociáveis andam com trela. Os aspetos da mobilidade foram ainda tidos em atenção na planificação das casas, especialmente no que respeita às instalações sanitárias. Refira-se ainda que, por questões de segurança, nessas casas não existem quaisquer dispositivos a gás.

Foi também uma questão de segurança que determinou que o terreno da Aldeia fosse vedado com uma vedação simples onde se apoiam plantas espinhosas que não permitem que seja facilmente transposta.
Num certo local, há uma pequena aglomeração de edifícios diferentes. Chamam-lhe o Centro. Aí funciona a sala de refeições, um salão multiusos que serve para convívio, eventos, atuações, exibição de filmes, biblioteca. A universidade sénior da sede do concelho prontificou-se a aqui dar aulas periodicamente. Há moradores que também aqui organizam tertúlias interessantíssimas (alguns eram conhecidos por só falarem de comes e bebes, e veja-se, afinal, a cultura que têm e os saberes que dominam!).

Há também um pequeno posto médico e de enfermagem que serve a Aldeia mas também os de fora, o mesmo acontecendo com o refeitório, que também é restaurante (sempre com opções vegetarianas e vegans) e presta mesmo um serviço de entrega domiciliária de refeições.
Há ainda uma lavandaria com serviço de engomadoria e arranjos de costura. Com a evolução do processo, poderá surgir um café com venda de jornais, uma mercearia, um cabeleireiro, enfim, o que a lei da oferta e da procura ditar. Há espaço reservado para estas eventualidades.

Avista-se ainda uma arrecadação para o material de jardinagem da equipa que faz a manutenção e limpeza dos espaços exteriores. Vêem-se pequenas hortas junto às casas a serem cultivadas pelos moradores. O estacionamento faz-se em parque próprio, afastado das casas, com zonas dedicadas aos moradores mas também aos visitantes e clientes do Centro.
Há um serviço de limpezas domiciliárias e de prestação de cuidados pessoais.
Existe uma povoação aonde se pode ir facilmente a pé com transportes públicos que permitem transportar passageiros dessa povoação a outras mais importantes que já disponham de serviços de nível superior (hospital, comércio e outros).”Francisco Marques